LUKE CAGE ou sobre como acertaram com a Misty Knight (ufa!)

Simone Missick: a Detetive Knight <3

"Não apenas busco a justiça, eu a persigo"
(Misty Knight)

SPOILER!

OBS: sabemos que há roteiristas e muita gente envolvida, mas quando me refiro ao Cheo Hodari Coker, enfatizo o fato de que um showrunner assina a obra, então responde pelas escolhas estéticas, narrativas e políticas da série.

INTRODUÇÃO

1. A primeira ideia de heroísmo negro, em geral, remete à discussão sobre o Pantera Negra inspirar ou ser inspirado na organização política homônima. Neste caso, o rapaz é equilibrado, belo, sofisticado, inteligente e com amplos recursos materiais. Como os demais, ele "veste negro por dentro e por fora", mas as suas razões são diferentes das questões diaspóricas. 2. Pensamos também na ideia de liberdade, fraternidade, família, Deus e igualdade racial sob o pretexto de "deixa disso, sob a mesma bandeira somos TODOS iguais". Neste caso, não sabemos até que ponto ele não percebeu o que está em jogo. 3. Também há imagens duma masculinidade negra forte e sedutora, adornada por correntes, que nos lembram da violência histórica superada individualmente. Todos eles são honrados, conscientes, heroicos e respeitam a ordem lei do patriarcado ao seu modo: T'Challa, Sam Wilson e Luke Cage. Mas como você imagina uma super-heroína Negra, #marvete?

"QUEM DISSE QUE A TEMPESTADE É A ÚNICA SUPER-HEROÍNA NEGRA?" [*]
Com muita frequência, as pessoas respondem que a única super-heroína Negra É NECESSARIAMENTE A X-MEN TEMPESTADE. Ainda assim, cabelos lisos e olhos azuis não são as características que remetem à negritude. Na verdade, o que querem dizer é que não conhecem nenhuma outra dos quadrinhos, e quando citamos alguns nomes o choque é geral. Assim como o público médio, produtores de quadrinhos não conhecem personagens e tampouco o "real". A junção dessa ignorância com o silenciamento do ponto de vista das mulheres Negras torna a representação uma junção de racismo e sexismo em quase todos os casos. As heroínas Negras são descritas como "sarcásticas", intuitivas, sedutoras e absurdamente sexualizadas. Isso ocorre  porque mulheres são quase sempre hiper-sexualizadas na cultura ocidental, somado à isso,  a predominância do imaginário colonial sobre mulheres Negras categoriza como o corpo que abriga uma sexualidade bestial. Essa visão de mundo é naturalizada na mídia através de imagens de objetificação e exotização de mulheres Negras como se fossem apenas um corpo que abriga "curiosidades" sexuais.

Infelizmente esse tem sido um aspecto central do conceito de Misty Knight desde a sua origem nos quadrinhos, em 1975. Qualquer busca por imagens mostrará uma mulher com blackpower e braço biônico vestindo roupas decotadas, justas e em posições "sensuais" para deleite das fantasias dum público masculino e heterossexual. Nesses quarenta e um anos de trajetória ela tem aparecido nos quadrinhos do Luke Cage como parceira da Colleen Wing, nos X-Men como colega de apartamento da Jean Grey, até, finalmente, dividir o título "Defensoras sem medo" (2012) com a Valkíria que é lésbica. É interessante observar que a lesbiandade de Valkíria é contrastada no título com a heterossexualidade de Misty, que tem sido reforçada desde o começo (como a personagem da Pam Grier em "The L World", sabe?). Reforço que tem função retórica de explicar que ela é badass, mas é só porque ela é forte DEMAIS, e que as discussões sobre raça/gênero/sexualidade não são pauta tida como importante. Atualmente, na revista do "Capitão América: Sam Wilson" (2015) ela aparece apenas para criar um clima de sedução unilateral, o que mostra o quanto os quadrinhos têm sido frustrantes neste sentido.

Isso nos leva à sequência em de close nos "atributos femininos" de Simone Missick, e de total preservação do corpo de Mike Colter. Alias, durante a temporada inteira o máximo que aparece é o tórax. Acertaram no tom, na fotografia, cenografia, trilha sonora, mas não convenceram da necessidade dessa cena tal como foi. Eu fiquei me perguntando sobre os agentes de ambos os profissionais, contratos e interesses que foram preservados. O argumento usado nas entrevistas é o de que a cena mostra o agenciamento de Misty, porque ela decidiu ter relações sexuais no primeiro encontro, porque o deixou na cama e não deixou a casualidade atingir sua atuação profissional. Não vejo muita vantagem ou novidade nessa justificativa, então tentei focar no fato de que o ato sexual não serve apenas para objetificar a personagem, mas para mostrar que o sexo é orgástico também para ela. A ideia piegas dum status quo se resume à fala de Misty após a cena: "eu te encontro". O problema é que esse suposto poder é derrubado a cada cena de slut-shame protagonizada por Luke, cenas que passaram despercebidas para muitos rapazes.

As demonstrações de slut shaming são bastante abrangentes: quantas vezes ouvimos que a roupa de uma mulher é curta demais ou seu comportamento atrevido? Há uma enorme variedade de insultos proferidos contra as mulheres, desde os mais pudicos, como “oferecida”, aos mais agressivos, como “vadia” ou “puta”. A sexualidade feminina e sua expressão são constantemente podadas, julgadas e restringidas. (Jarid Arraes via Blogueiras Negras)

O "silêncio como resposta" encaixa muito bem nas cenas porque é evidenciado que Misty sabe que não vale a pena explicar ao Luke, sobretudo porque tem trabalho a fazer, ele é secundário para ela. Isso também mostra o quanto está inserida no universo masculino cujas fragilidades emocionais levam ao ataque para sentirem-se no comando da situação. Ótimo. 

O que é inesquecível: o close errado passou pelo crivo do showrunner, que se diz interessado em redimensionar a representação de mulheres negras no universo super-heroico. Será que, pra ele,  o heroísmo de Misty passa por isso?

Pergunta retórica.

Certamente. E não surpreende. Como afirma Joanna Russ: "a cultura é masculina", portanto, quando falamos de heróis (ainda que negros) há dois enfoques: os positivos tendem a ser uma representação do homem branco, com "traços de negritude" conhecidos como estereótipos, senão uma tendência política "mais à direita"; quando os valores são ambíguos ou negativos é permitido representar o herói negro como parte duma cultura/comunidade cujas motivações são "negras" ou politicamente "radicais".

Quadrinhos mainstream são produzidos por homens e sobre a realidade masculina padrão, então a exploração, objetificação e hiper-sexualizaão de mulheres é engrenagem da máquina. Quando não é isso, a protagonista Carol Danvers produzida por mulher**  é uma ode à branquitude. As exceções são raras e sutis como a Misty Knigh de Marvel: Luke Cage e note a especificidade: me refiro à Misty da Netflix.

À ESPERA DA NOSSA SUPER-HEROÍNA (ou, para além dos anos 80)
O nosso fascínio por narrativas heroicas passa pelos homens brancos, mulheres brancas e homens negros sendo que, nesse percurso, as mulheres negras aparecem como dispositivos narrativos, sofrendo violências físicas ou psicológicas e sendo resgatadas. A inversão da cor de uma personagem heroica não comporta a verossimilhança esperada, bem como o excesso de "etnicidade" mostra uma estratégia racista. Como então, Cheo Hodari Coker acertou no modo de atualizar a detetive Mercedes "Misty" Knight?  O básico que desejamos desses superseres é que lutem por nossa causa, daí a força de Tempestade no nosso imaginário, mas não é o suficiente. Ela representa muito mais um imaginário sobre o que talvez, quem sabe, possa ser uma personagem negra, uma tentativa infantil de enaltecer. Isso porque esquecem que:

Um herói [ou heroína] encarna o que acreditamos ser o melhor em nós mesmos [mesmas]. Um herói [ou heroína] é um padrão a aspirar bem comum individuo para ser admirado". Ansiamos pela capacidade de olhar para cima; de olhar para além de nós mesmos e para algo maior.

(GAY, 2016, p. 268)

O melhor de nós mesmas também requer uma proximidade com nossa vida comum, portanto, o fato de Misty Knight ser uma humana sem super-poderes não é demérito algum, ao contrário. Misty é construída como a melhor versão de nós mesmas, com fragilidades emocionais e traumas que mostram uma distância possível entre o que somos e o que aspiramos ser. A maioria das pessoas que conhece a personagem dos quadrinhos esperava a explosão e o tiro que, a custo do braço, elevariam da categoria humana à biônica. Apesar dessa ser uma das características do conceito original, a  que muitos fãs desejavam assistir, a escolha de Coker por adiar esse fanservice evento foi uma decisão acertada, afinal, ela não é o braço biônico, é ele que faz parte dela, entendem? 

Não é à toa que ele desejou mostrar a fragilidade humana de Misty Knight: sua trajetória heroica é marcada por traumas que a maioria das mulheres (no plural!) reconhece e isso é um real tópico de discussão da série. Nos primeiros momentos, o olhar choroso dela podem transmitir ideia de fraqueza, mas, na verdade eles nos desafiam a nos perguntar "o que houve?" e "o que a trouxe aqui?". Na verdade, ela não foi trazida, ela desejou permanecer para além de ascensão na carreira: está ali para um bem maior.

Mas qual a história triste que emoldura seu heroísmo? Após a sequência traumática em que o Kid Cascavel a toma como refém, ameaça, humilha, manipula emocionalmente e a objetifica, o sofrimento de Misty toma uma forma reativa, então a relação de causa/consequência desnaturaliza o estereótipo de "Mulher Negra raivosa".

A ironia padrão dos vilões misóginos.
O mérito dessa sequência é mostrar o quanto o vilão está errado.

O estresse pós traumático é tão acentuado que Misty agride fisicamente Claire Tample, numa forma de descontar o desempoderamento em alguém que parece mais fraca. Esse momento delicado foi construído após o choque exatamente para romper com a ideia de expressão de que "mulheres são rivais" ou de ciúmes, o que demonstra uma sofisticação considerável. A cena também poderia cair no lugar-comum de "pele mais pigmentada = forte" e "pele menos pigmentada = frágil", mas a humanização de ambas, sem hierarquia, cria um efeito mais complexo por focar a raiz do problema: as masculinidades tóxicas. Longe de uma representação sádica da violência de gênero, a série discute o fato de que tanto os "homens bons", quanto os vilões são agentes de machismo e que isso é um problema real, que deforma as emoções das mulheres do ocidente. O auge da discussão está no episódio 9, em que temos acesso à sessão de terapia. Nela, as falas de Misty, definitivamente, cortam a parede entre a narrativa da série e o real.

A princípio, ela resiste, questiona objetivamente o terapeuta ao mesmo tempo que vai delineando a visão de mundo dele. Na verdade, o que ele diz sobre seus gostos e escolhas apenas confirma o que é esperado pela audiência. O desconforto dele é disfarçado pela performance de poder: usar a caneta para escrever qualquer interpretação do contexto. Enquanto ele, como uma peão branco no xadrez, dá o primeiro movimento " E você gosta de estar no controle, não é? Por isso foi armadora. Queria decidir quem pegaria a bola, certo?" ela o encara de frente: "É porque eu era baixinha, e era a única forma de eu entrar na quadra". Esse momento de autodefinição, desnuda o modo como as interpretações sobre mulheres Negras costumam planar no senso comum. Ele segue com outro peão no centro: " Porque tinha que estar no jogo" e ela movimenta o cavalo: "Não é um jogo pra mim". Enquanto ele segue por interpretações preconceituosas e frívolas, os peões, ela desvenda jogo ante o apavoramento do Sam Healy terapeuta. Tempos depois, ele tenta afetá-la através da golpes misóginos, contrastados pela narrativa sobre sua relação com Cage, em que ela sentiu abertura para ser ela mesma, diferente da sessão. O terapeuta arrisca um cavalo e um bispo ao dizer que "não acredita em tudo que lê", uma vez que ele direciona o diálogo pela ficha de Misty.

O diálogo metaforiza de forma bastante eficaz a diferença de interpretação a partir do lugar social de quem narra, ou, se você for mais acadêmica, a disputa por identidades. A trágica história sobre a prima Cassandra, sob as lentes de Misty, representa a culpa de sobrevivente que todas nós já sentimos a partir de situações violentas vivenciadas por mulheres próximas e isso é uma motivação concreta e realista para uma heroína. A própria terapia demonstra o quanto essa luta significa o sacrifício do corpo, coração e mente contra a lógica centrada nas convicções de supremacia e poder masculinos-cis (falocentrismo). Neste ponto, a luta de uma mulher heterossexual contra o regime da masculinidade-padrão, informa aos desavisados sobre a diversidade de performances feministas: elas não se restringem nem à heterossexualidade compulsória da inverno, nem à exterminação do sexo masculino. A crueldade deste sistema é evidenciado pela cadeia de brutalidade que perpassa o violador, seus companheiros no ato, além da condescendência de outros homens, em conflito com a lei ou representantes dela. A desvalorização do corpo de Cassandra é resultado de uma estrutura social racista e sexista, em que é permitido aos homens negros se sentirem um degrau acima, por serem homens. Discutir isso sem reducionismo é muito importante, ainda mais porque não é preciso mostrar, nem fazer disso a motivação de Misty. Ao contrário. O fato de Cassandra, como muitas outras pessoas negras, ser tratada como cidadã de segunda classe motiva Misty a perseguir a justiça a todo custo. Essa é a nossa heroína.

"Normal" quer dizer "sem superpoderes", ora, ora.

"A GAROTINHA DO PAPAI"
A subjetividade se estende para além das mazelas, também. O legado da escravidão para a feminilidade negra ainda é vivo, mas nenhuma de nós pode ser resumida a isso - muito menos a Misty Knight. Ao mesmo tempo que a série prima por construir uma feminilidade negra que rompe a ideia de que "todos os homens são negros, todas as mulheres são brancas", ela enfatiza a detetive como uma  agente da "lei do pai" e, com isso, transmite uma mensagem. Como agente da lei e da máquina burocrática, seu código de ética distinto aponta para o patriarca tanto quanto sua performance de jogadora de basquete ter sido moldada pela opinião dele e do Pop. A aparente falta de referencial feminino, leva Misty a conter as características tidas como femininas (ex: a emotividade), exceto no que a distingue como performance estilizada/feminilidade padrão.

Sua convivência com homens desde a infância levou ao conforto nesta presença, neste tipo de honra, bem como à compreensão da fragilidade do ego masculino, de modo que, por um lado, sabe como manipular a seu favor, e, por outro, a afasta de seu "verdadeiro eu". Ela só tem contato com a sua condição de mulher nos momentos em que é violentada por ser lida como tal. Ciente da ambiguidade que sua presença na instituição significa, ela se dá conta de que o sistema racista/misógino vencerá, independente dos esforços. Essa "quebra da inocência", que expõe o que já se sabe, insere outra discussão: Se homens negros são, com bastante frequência, suspeitos [e condenados] de criminalidade, ou seja, a justiça é qualquer coisa, menos cega. Mudar o sistema "de dentro", como sugeriu Priscila é a única possibilidade em que a detetive pode se encaixar de forma ativa. O prolema é que o sistema não é palpável, ele é sustentado por engrenagens mergulhadas em cada pessoa exposta à cultura.

É evidente que essa performance de feminilidade de Misty não decorre apenas de ter optado por não concordar com a desigualdade; a socialização de uma jovem Negra, passa necessariamente pela interpretação (até mesmo de seus pares) de que é mais forte física e emocionalmente, conforme a pigmentação da pele. Se notarem, ela é a mulher mais pigmentada com quem Luke se relaciona.

E, por falar em "lei do pai", é interessante como os pais do Luke Cage/Willys Stryker e da Claire Tample, mesmo "fora de cena", instrumentalizam o posicionamento político em relação às masculinidades negras marcadas pela colonização. As pessoas cujos pais se ausentaram de alguma forma,  - exceto Willys, que é uma consequência infeliz disso - se mostram mais à vontade em relação aos seus afetos e fragilidades, índices duma relação positiva com as mães. Talvez Willys seja exatamente símbolo da recusa à mãe, uma masculinidade infantilizada, numa busca exterior pelo seu "eu" desmantelado pelo abandono paterno. Essa ausência é uma ferida comum na trajetória de muitas pessoas negras, mas as interpretações tendem à naturalização da ação ou à vitimização  dos indivíduos.

Ora, se desde a colonização as mulheres negras tem sido alvo de violências e submetidas a condições precárias de vida, a objetificação delas e de seus filhos, numa lógica patriarcal, desempodera aos homens negros. Quem deseja lembrar de sua ausência de poder? Neste sentido, o cristianismo encarnado pelo Kid Cscavel funciona como um sólido comentário sobre a influência das igrejas nas inserção de valores hegemônicos nas comunidades negras. A ênfase no fato de ele ser "um falso pregador" homem funciona bem para proporcionar uma crítica às instituições sem demonizar a fé em si e sem retomar o estereótipo de mulheres religiosas.

Enfim, a imagem duma mulher negra pigmentada com uma relação saudável, afetuosa e próxima ao pai mostra uma quebra de paradigmas forte, tanto no universo narrativo quanto no real. O interessante é que esse tópico de discussão, não serve apenas como explicação da "feminilização da pobreza", mas assume um aspecto relevante para Misty ser a "garotinha do papai". Enquanto muita gente acredita que a intuição somada à raça e gênero significa acesso ao sobrenatural, num diálogo com Scarfe somos informadas de que a habilidade foi desenvolvida, desde a infância, pela leitura de "Onde está o Wally" (Where’s Waldo? de Martin Handford), ou seja: nada é dado e nada é natural. A profissão de Misty Knight é, em primeiro plano, um compromisso sócio-político, uma luta por justiça social e, em segundo plano, uma atividade em que o pai "fora de cena" é evocado como lembrança positiva. Essa relação saudável com o pai,  que respinga numa emotividade imatura, e na constante busca por agradar ao pai, e à lei, aproxima Misty de qualquer mulher real, porque é fato que o mundo tem muito a melhorar, e todas nós - e nossa heroína - somos imperfeitas, dentro do que existe como possibilidade real.



CONCLUSÃO: PRETA/NERD FELLINGS
Em contraponto à imagem de violência histórica, do racismo contemporâneo e sub-cidadania está a Preta, Nerd Detetive Mercedes Kelly Knight ou Misty Knight. Acima de qualquer convicção masculina que tende a explicar o que ela já sabe, Misty torce para o Celtics ciente da historicidade, esquemas-táticos e formações. Quando Scarfe tenta fazê-la sentir-se mal por torcer pelo Celtics, já que é negra, sua resposta representa de forma descontraída o que é ser uma mulher no universo nerd. E note que Misty está em todos os espaços culturalmente destinados aos homens: barbearia, polícia, super-heroísmo, liberdade e prazer sexual e basquete. Ela é uma versão da protagonista de Jogada Certa (Just Whright, de Sanaa Hamri) só que mais privilegiada, heroica e distante de nós. Além de poder me ver em Marvel: Luke Cage, o que mais me encanta é que, apesar de a primeira peça a se mover no xadrez ainda ser a branca/masculina, multiplicam-se as nossas peças, estratégias e nossas mãos negras no jogo.

NOTAS
*Esse questionamento norteia a dissertação de Grace Gipson sobre representação de mulheres Negras heroínas de HQ.
** Estou restringindo ao gênero feminino em fase adulta, portanto as incríveis Lunella Lafayete e Kamala Khan e Riri Williams (no prelo) não são exceções.

[Veja mais]
=> Luke Cage é o nosso herói?






Obrigada:
Anne Dias
Gabriela Costa
Gabriella Lima
E às minhas heroínas:
Skye Edwards, Tamar-Kali e Angela Davis

Textos Consultados
ARRAES, Jarid. Cultura do estupro e slut shaming. Disponível em: <blogueirasfeministas.com/2012/10/cultura-do-estupro-e-slut-shaming/>. Acesso em 20 out. 2016.
BRAGA Jr., Amaro Xavier. A ambientação de personagens negros na Marvel Comics: Periferia, vilania e relações inter-raciais. In Revista Identidade!, São Leopoldo. v.18 n. 1. Jan-jun. 2013. Semestral. (p. 3-20). 
BETTS, Tara. THE LUKE CAGE SYLLABUS: A BREAKDOWN OF ALL THE BLACK LITERATURE FEATURED IN NETFLIX’S LUKE CAGE. Disponível em: <blacknerdproblems.com/the-luke-cage-syllabus-a-breakdown-of-all-the-black-literature-featured-in-netflixs-luke-cage/>. Acesso em 20 out. 16.
CADE, Toni (org.) The black woman: an anthology. Canada: A Mentor Book, 1970.
DAVIS, Angela. Mulheres, Raça e classe. Tradução Livre. Plataforma Gueto, 2013[1982]. 
GAY, Roxane. Má Feminista: ensaios provocativos de uma ativista desastrosa. (trad. Tássia Carvalho). Barueri: Novo Século, 2016.
GIPSON, Grace D. "Who Says Storm Is The Only Black Superheroine?": An Interpretative Textual Analysis Of The Black Superheroine." Thesis, Georgia State University , 2013. 
______. Black, Female and Super Powered: An Interview With Grace Gipson on Black Comic Book Super Heroines. [2013] (Entrevista). Disponível em: <www.huffingtonpost.com/yolo-akili/black-female-super-powered_b_2659118.html>. Acesso em 6 dez. 15.
HOWARD, Sheena C.; JACKSON II, Ronald L. (org):Black Comix:  Politics of race and representation. New York: Bloomsbury, 2013;
MORRISON, Grant. Superdeuses. Trad. Érico Assis. São Paulo: Seoman, 2012.
OLIVEIRA, Selma Regina Nunes. Mulher ao quadrado: As representações femininas nos quadrinhos norte-americanos: permanecias e ressonâncias (1895-1990). Brasília: Editora UnB, 2007.
PUIG, Rebeca dos S.A Mulher como Objeto de Cena. <collantsemdecote.com.br/a-mulher-como-objeto-de-cena/>. Acesso em 17 out. 2016.
RUSS, Joanna. To write like a woman: Essays in feminism and science fiction, 1995.
SARKEESIAN, Anita. “I’ll Make A Man Out Of You”: Strong Women In Science Fiction And Fantasy Television. [Tese], York University, 2010.

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