Quais os limites da sua imaginação?


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Mais do que um unboxing: desbloqueando os limites da imaginação


Por Anne Quiangala

Você já parou pra pensar nos limites da sua imaginação? Pois é, a maioria de nós adora o afrofuturismo como estética, musica e até mesmo como política. Angela Davis nos encoraja a pensar um mundo sem prisões, Grada Kilomba nos leva a perguntar: e se vencermos as memórias da plantação? Quem nós seremos? Imaginar é uma faculdade tão comum que raramente nos aprofundamos nela. Pra tudo, cabe imaginar, cabe visualizar. Está em voga a ideia de fazer o impossível, o que jamais foi feito, mas acho que sem propósitos e valores inegociáveis, o impossível não liberta. O impossível não cai longe do pé. 

Estou falando isso porque eu sempre gostei de pensar soluções para problemas concretos, que o acesso limitado às tecnologias causava. Eu sempre fui bem obstinada por adaptar e remover toda a sorte de obstáculos, então meu velho aparelho de som virou sim um amplificador de guitarra, por exemplo. Com o repertório de resoluções no estilo "faça você mesma" e visitas constantes à loja de eletrônicos, mesmo depois de adulta, emprego e organização financeira eu continuei sendo dedicada adepta das gambiarras, e raramente saí de casa pra comprar o que precisava de fato.

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Jogando na RTX 2060


Voltando à imaginação e suas fronteiras: já adulta, comprei meu Xbox 360, uma xbox One, um pc bacana pra jogar... e enrolei pra comprar uma placa de vídeo. Tudo porque eu não me visualizava como uma pc gamer, resolvendo treta de software etc. Minha imaginação buscava um conforto no console que tinha a ver com toda uma vida com pc ok, ou abaixo do ok, uma vida de pc gamer resolvendo problemas. 

Mas olha só, eu leio Angela Davis. Aquela frase do mundo sem prisões, ainda ecoa na minha mente. A musica do Carlinhos Brown, Vilarejo, me traz a o tipo de paz do mundo que imagino... daí eu me sentia bem imaginativa. Mas eu li um conto de Nalo Hopkinson chamado A Raggy Dog, a Shaggy Dog. Você conhece a Nalo? Ela é uma escritora que tem uma escrita tão imaginativa e tão literária que me fez pensar no que tenho aprendido a chamar de literatura no universo acadêmico. No conto do qual estou falando, ela descreve a experiência de um corpo gordo, lgbtqia+, vivenciando uma forma de amor híbrida, vegetal e animal. Quando eu li, tive que admitir pra mim mesma que eu jamais pensaria em uma historia tão fantástica e profunda como aquela. Eu me apaixonei pelo fato de Nalo ter alargado os limites da minha imaginação. 

Ok, "eu sou sabida". Leio Angela Davis, Nalo Hopkinson, ouço Carlinhos Brown. Mas continuo sendo condicionada a um tipo de forma de resolver o problema. Sabe, quando aprendemos o método de divisão com o resto? Demora, mas chega no fim? Errado não é, mas podemos avançar.


UM CONVITE À REFLEXÃO


Certo dia, a equipe da Nvdia me perguntou: "Anne, vc toparia jogar no PC?". Eu me surpreendi bastate, porque assim..  É claro que eu mudaria, mas... é claro que eu mudaria? Tudo é uma questão de como nós nos vemos, e até então eu não me imaginava como uma pc gamer. A cada detalhe de especificações do computador, e do que seria possível fazer com ele, eu fui me dando conta de que não era só um PC. Era um desbloqueio de sonhos. No console eu lá imaginava poder fazer o que posso fazer com esta maquina? Com o meu pc antigo eu estava sempre sendo desafiada a resolver problemas e nem parava para pensar objetivamente sobre os entraves: eu simplesmente resolvia (ou não).  Claro, primeiro eu preciso aprender a usar os recursos, daí imaginar, visualizar e fazer, mas o ponto é imaginar que é possível.

Aliás, por falar em "possível", você lembra da Burning Live Temporada 2: Aprendendo a jogar? Nessa série de lives, Waldson Souza e eu, falamos sobre se tornar gamer a partir do zero, expandindo a imagem comum sobre o que é e como se parece uma pessoa gamer, dando enfoque ao fato de que ser gamer depende também de acessibilidade no que se refere a custos. Esse lugar-comum de pensar custos, é imprescindível, porque nossa pátria gamer é repleta de contradições, mas esta não deve ser a única borda que limita nossa imaginação sobre a identidade e afeto pelos jogos eletrônicos. Precisamos pensar nas camadas de acessibilidade (sobre pessoas com deficiência, LGBTQIA+, mulheres, racializadas) para imaginar formas plurais de existir dentro e fora dos jogos.



Se, por um lado, com este pc eu entendi que a minha presença jogando também é uma oportunidade para conversar sobre acessibilidade no mundo gamer mais uma vez, noutra perspectiva, por outro, não é simplesmente "eu tenho" e acabou. Receber esse computador me fez pensar sobre o que, até então, era impensável, eu me deparei com a borda da minha autoimagem, o limite da minha imaginação, tão naturalizado que não parecia um problema. Eu não me dei conta de que não me ver como pc gamer, me levou a não imaginar, sequer futuramente, jogando no computador. Então diversas reflexões se desdobraram: o que mais eu não me via fazendo, ou exercendo ou habitando? E você, quais são os limites da sua imaginação?


Essa conversa aconteceu no formato de live, que está disponível aqui: Qual o limite da sua imaginação? | #WakandaStreamer | RTX2060


PS: eu amo meu xbox One, mas também estou feliz que ele deixou de ser só trabalho: agora el é o meu tempo pra mim mesma. Sabe? Jogar por diversão me lembra a razão de também jogar ao vivo.

2 comentários:

  1. Adorei a reflexão que o texto traz! Eu acabei montar meu primeiro PC e eu ainda não tenho ideia das experiências que posso ter. Tenho devorado alguns jogos da geração passada como se eu estivesse muito atrasado

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    1. Oi Flávio! Obrigada pelo feedback, é muito bacana também saber que está passando por um momento parecido! Confesso que esse momento de não saber bem o que fazer, me deu um sentimento paralisante, masa parte bacana é que vamos nos adaptando à nova realidade aos poucos!

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