10 momentos que deram fôlego a 2017

De mestranda a blogueira. De Blogueira a Mestra!

por Anne Caroline Quiangala

Se 2016 foi um ano que testou toda a nossa capacidade de sobreviver ao absurdo, ao caos e à erupção de toda a violência represada, 2017 nos possibilitou assentar. Particularmente, eu foquei neste ano a micropolítica, o auto-cuidado e a finalização do ciclo que me trouxe aqui: o mestrado. Olhando bem para o ano que passou enxergo tantos momentos positivos que já sei de antemão que classificar apenas 10 significa deixar muitos outros...mas vamos à missão!

10. Cabine de "Estrelas Além do Tempo"
O surpreendente convite para participar da cabine de imprensa do esperadíssimo Estrelas Além do Tempo surgiu meses antes da estréia e meu encantamento não foi só por isso. Foi a minha primeira cabine e eu adorei tanto o filme que escrevi vários textos, participei de podcast e, desde este início, pude contemplar uma mudança considerável no que se refere à representação de mulheres (cis e trans) Negras e, consequentemente do que as jovens podem vislumbrar como objetivo!


9. Ação Nerd-Feminista (8 de março) 
O #FeminismoNerd é o pilar de vários blogs idealizado por mulheres e, obviamente, isso nos coloca na mira de haters e de pessoas simplesmente desinformadas. Seguindo a trilha nerd, decidimos montar nosso Megazord que chamamos de Liga das Blogueiras Extraordinárias composto por: Collant, Delirium Nerd, Ideias em Roxo, Momentum Saga, Nó de Oito, Preta, Nerd & Burning Hell, Prosa Livre, Psicologia&CulturaPop, Valkirias, Kaol Porfírio. Nesta ação específica, nos juntamos para propor conteúdos, ao longo do mês de março, que trouxessem ao centro questões relacionados às experiências de mulheridade e aprendemos muito umas com as outras. Neste processo belíssimo de aproximação, nós fomos presenteadas com a incrível personalização do blog pela Lady Sybylla. Com esta ação também passamos a usar a hashtag #WeCanNerdIt!



8. Tamar-Kali me chamou de "brilhante"!
Ser uma adolescente que ouvia rock, heavy metal, crossover e não se via em nada daquilo foi um processo difícil. Sem dúvidas, conhecer o quarteto californiano The Donnas foi um primeiro passo rumo ao conforto de apreciar este gênero musical, mas você já ouviu (e viu) a Deusa Guerreira do Hardcore: Tamar-Kali? Ela definitivamente é uma cantora completa, feminista e se você já assistiu ao filme Bessie, conhece a habilidade vocal de Tamar-Kali. Desde que eu a ouvi pela primeira vez eu senti verdadeiramente que o metal é o meu lugar! E pensa no que eu senti quando ela compartilhou esse meu texto!



7. Campus Party (Brasília)
Desde que eu morava no Espírito Santo meu sonho era participar da Campus Party, mas nunca imaginei que fosse do jeito que aconteceu este ano. Eu fui curadora da palestra Qual a importância de pensar gênero e raça no mundo dos games? e tive a oportunidade de compartilhar minhas reflexões sobre a minha experiência como jogadora feminista, Negra e nerd com pessoas que também se dispuseram a compartilhar seus pensamentos e experiências a respeito de si mesmas.



6. 33ª Feira do Livro (Brasília)
O II Encontro nacional de blogueiros e escritores e a mesa Fantasia, SiFi e Diversidade faziam parte da programação da 33ª Feira do Livro de Brasília. Pra além de eu e a Flávia Neves (Seja quem você quer ser) termos "feito as blogueirinhas", a experiência de conhecer a autora Barbara Morais, Taty Azevedo (A improvável Annelise),  Eric Novello (Ninguém Nasce Heroi) e Kássia Monteiro (Soberana) que são pessoas bastante comprometidas com a representação estética que fuja ao padrão sem exotizar foi muito importante. A platéia estava ávida por dialogar e ainda conheci a Rapha (Equalize da leitura), como não ser grata por tudo isso?



5. Auto-cuidado 
Sem sombra de dúvidas posso dizer que 2017 foi um ano de reconsiderar o valor da micropolítica, então eu me propus a pensar mais sobre auto-cuidado em amplas frentes: saúde mental, veganismo, organização pessoal (#BulletJournal) e ampliação das leituras para uma área que não havia explorado antes: o antiespecismo. Nesta empreitada, duas obras em especial marcaram minhas reflexões:

Os ensaios das irmãs Ko me tiraram definitivamente da zona de conforto sem oferecerem respostas. Primeiro eu tive que aderir à plataforma digital, depois me dispor a ler no idioma original (inglês) e, por fim, não pude continuar consumindo derivados de leite.

Kindred (pela primeira vez editado no Brasil! Obrigada Editora Morro Branco!) me atravessou por desafiar minhas ideias preexistentes sobre ficção científica, viagem no tempo e a conexão do passado colonial com o presente. Através desse romance, consegui alcançar um novo patamar de compreensão da realidade afetiva, da memória e da elaboração acadêmica das filósofas Grada Kilomba e Angela Davis. Este romance me proporcionou uma experiência duradoura que me fez pensar ainda mais sobre o modo como me relaciono com as pessoas e com as coisas...historicamente!



Kindred foi o romance de estreia da escritora estadunidense Octavia Butler (1947-2006). Este ano, a obra foi publicada no Brasil pela primeira vez, com uma edição cuidadosa feita pela @editoramorrobranco . PLOT: Dana, uma escritora que que vive em Los Angeles, em 1976, acabou de se mudar junto ao marido (Kevin) para o apartamento novo. Em meio à arrumação de livros, ela desmaia e, sem razão aparente, desperta em Maryland, no ano de 1815. A protagonista narra sua experiência de viagem no tempo e descobre por si mesma as ambiguidades e o peso da escravidão. . ANÁLISE: Em nossa leitura, nós relacionamos a teia de acontecimentos de #kindred ao pensamento da filósofa Angela Davis (Mulheres, Raça e Classe) e da psicanalista Grada Kilomba (Plantation Memories). E pra você, a leitura deste livro, inspirou quais conexões? *Adquira Kindred no nosso link: http://amzn.to/2yBMhYI . #octaviabutlerkindred #octaviabutler #kindred #morrobranco #fiction #ficçãocientífica #literaturanegra #literaturaestrangeira #Lido #sifi #afrofurismo #plantationmemories #nerdiandade #nerdygirl
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4. Riri Williams (em português!)
Este ano foi também muito rico no que se refere aos quadrinhos que tanto queria ler chegaram ao Brasil - em especial, Homem de Ferro com a #pretanerd Riri Williams. Foi tão icônico e eu precisava tanto falar sobre isso que esta HQ me levou de volta para o Youtube!


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3. Get Out
A maioria das pessoas negras e nerds que eu conheço (e as que leio) estavam animadíssimas para assistir Get Out há tempos. O filme não é menos que uma catarse coletiva, aquela sensação que todas nós conhecemos, mas que não sabíamos expressar até a estreia deste "nascido clássico". Com isso, não ignoro que pessoas negras produzem filmes de terror e de horror há tempos, apenas quero enfatizar o peso da conquista que é ter um filme como este sendo distribuído pela Universal, ou seja, mesmo sendo indie estar disponível em diversas salas de cinema!



2.CCXP 2017 + PADRIM
A Comic Con Experience se tornou evento planejado desde que saí de São Paulo em 2016, querendo rever as pessoas que eu conhecia via internet e se provaram incríveis ao vivo e deram cor aquele evento intenso. Nesta rota eu acabei criando a campanha de financiamento coletivo do Blog pela plataforma Padrim e pude me aproximar de pessoas que não apenas se identificam e apoiam nossa proposta aqui no blog, como se tornaram amigas de fato (inclusive conversando comigo nas Lives de domingo de manhã!).

Neste ano, portanto, ir à CCXP possibilitou reencontrar pessoas que não apenas admiro como gosto muito e de passar dois dias com a apoiadora do Padrim, Flávia Neves e - finalmente - conhecer o Henrique Oliveira (@_souloliveira) e o Load pessoalmente! Além disso, participei pela segunda vez do painel Furiosas - Chutadoras de Bundas com artistas e influenciadoras que admiro bastante. Além disso, tive a oportunidade de passar bastante tempo com as queridas amigas do Collant (Clarice França e Rebeca Puig) inclusive assisti Star Wars: Os últimos jedi com a Rebeca e o Carlos e de lá fomos para a Radio Geek!

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1. MESTRA!
Quando eu iniciei o blog a minha proposta era compartilhar minha jornada acadêmica que culminaria com o mestrado em literatura. O que eu não previa era que o blog se tornaria maior que eu, que as pessoas se conectariam com as ideias e que as amizades viriam - tampouco os haters. Quando defendi a minha dissertação e me tornei mestra - aliás, logo de manhã - a Gabriella Lima me presenteou com um sabre de luz confiando que eu sairia de lá mestra.

Todas as palavras que eu conheço são insuficientes para descrever a gratidão que sinto por cada pessoa que fez parte da jornada - ninguém consegue nada sozinha! - e àquelas que foram assistir, vindas de perto ou de muito longe (por exemplo o Padrim Vento Suzano que veio do Rio de Janeiro e a minha amiga Luiza Rabelo que mora no México).

Neste ano eu amadureci em amplas frentes e isso só foi possível porque sempre tive as melhores pessoas oferecendo amizade, companheirismo e força com plena reciprocidade. Veja que 2017 trouxe incontável número de pessoas, situações e cultura pop com balanço positivo e só resta a 2018 dobrar a meta!


...e você, como foi seu ano de 2017?

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