BGS | Aqui se joga

 
Por Alessandra Costa


A BGS, Brasil Game Show, chega em sua 12º edição trazendo aos gamers o equilíbrio perfeito entre o saudosismo dos jogos clássicos e as novas apostas e novidades deste mundo.

Filas enormes em praticamente todos os estandes para testar os jogos mais desejados do momento, como Fortnite, em que a Epic Games reservou um estande todo para seu principal game,  Fifa 20, Marvel's Iron Man VR, Marvel's Avengers, Bleeding Edge, Minecraft Dungeons, Luigi's Mansion 3, The Legend of Zelda Link's Awakening, Mario Kart 8 Deluxe, Super Mario Bros Deluxe, entre outros.

Em sentido horário, começando do topo à esquerda: Minecraft Dungeons,  Super Mario Bros Deluxe, The Legend of Zelda Link's Awakening e Marvel's Avengers

BGS Pinball & Arcade Matic

Atração inédita da BGS, a área de 1.500 m² destaca a cultura do pinball, com desde suas máquinas mais clássicas as mais modernas, campeonatos de pinball e a presença do presidente de uma das maiores no gênero, Gary Stern da Stern Pinball. Isso demonstra que o que pode ser considerado como vintage game tem um público fiel e que, ao mesmo tempo, moderniza-se, sem perder sua essência.


Avenida Indie

Falando sobre o futuro dos games, a Avenida Indie, que já é um espaço tradicional da feira, contou com estúdios independentes e jogos de diferentes gêneros, disputando os votos do público para conquistar o prêmio. 

Tive a oportunidade de jogar Gravity Heroes, que logo me chamou a atenção pelo carisma de seus personagens, em especial Nala, um mulher negra, cientista e defensora da igualdade entre humanos e sintéticos.

Avenida Indie e o jogo Gravity Heroes

O enredo do jogo é baseado neste conflito entre essas duas raças e sua jogabilidade depende do domínio da gravidade para transitar pela tela e atirar nos inimigos. Seu visual em pixel art encanta a todos, mas principalmente aos saudosistas.

Cosplay

Com um espaço dedicado aos cosplayers, o BGS Cosplay, houveram concursos e um bloco especial para os cosplayers Marvel, o Marvel Becoming Costume Contest, que acontece em outros eventos como a Comic Con San Diego. 

Da esquerda para a direita: cosplayers de Homem de Ferro, Doutor Estranho e Capitão América e o ganhador de um dos concursos Marvel Becoming Costume Contest, cosplayer de Noturno (X-Men)
Cosplay de Okoye (Pantera Negra)




Nos dias em que estive presente, pude ver alguns cosplayers icônicos de personagens negros, como Luke Cage em sua visual clássico dos quadrinhos, uma versão feminina do Super Choque, Will Smith em Um Maluco no Pedaço, Pantera Negra vencedor do concurso de Cosplay da PerifaCon, e a Okoye, mas durante todo o evento houveram personagens negros da cultura pop e dos games representados.


Não há nada melhor que Street Fighter

Muito carismático e acompanhado de seu bonequinho do Blanka, Yoshinori Ono contagiou o público que o acompanhou no BGS Talks.

Yoshinori Ono e o mini Blanka no BGS Talks

O produtor executivo de Street Fighter disse que o sucesso do último lançamento, Street Fighter V, se deve a disposição para ouvir diversas opiniões e assim chegar as melhores conclusões. 

Perguntado se prioriza a nostalgia ou a originalidade, Ono busca o equilíbrio. Não abrir mão dos elementos nostálgicos de 30 anos da franquia, mas incluir novos elementos para atrair novos jogadores.

O jogo possui uma adaptação para o cinema, e ao ser perguntado sobre isso, o produtor demonstrou seu descontentamento de forma descontraída, disse estar muito longe de contente e que espera ter recursos para produzir filmes melhores.

Sobre crossovers com Tekken, por exemplo, Ono os comparou a um namoro, em que ambas as partes precisam estar envolvidas para acontecer e isso depende também do interesse das outras produtoras. Ao perguntarem sobre a comparação com outros jogos, ele responde prontamente que em Street Fighter ninguém corta cabeças e que possuem os personagens mais queridos.

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Street Fighter V. Fonte:TechTudo

Entre suas recomendações para quem quer seguir carreira em games, está seguir os criadores em suas redes sociais e contribuir com feedbacks de seus trabalhos.

Ono reforçou que o sucesso de mais de 30 anos se deve a consciência do que a franquia é e de saber aproveitar da melhor forma as opiniões sobre o seu trabalho.

A música vem do coração, deixe florescer

Como não lembrar da icônica trilha sonora de Super Mario Bros? Esse é o poder da música, que aliada aos games tem o poder de inspirar seus jogadores. E essa é a missão de Shota Nakama (é isso mesmo que você leu!), que uniu a sua paixão por música e games e hoje é produtor musical. Conhecido por criar a trilha sonora de jogos como Final Fantasy XV e Kingdom Hearts, no BGS Talks, ele respondeu sobre sua carreira e inspirações.

Shota Nakama no BGS Talks


Perguntado sobre como seu processo criativo, ele contou que geralmente inicia seu trabalho conversando com o diretor do jogo, coletando informações e consequentemente se envolvendo com o enredo do jogo, surgem as inspirações que exigem muita criatividade porque acontecem antes mesmo do  contato com as primeiras imagens do jogo.

Contou que um dos jogos que mais lhe deram trabalho foi o próprio Final Fantasy XV, por se tratar de um grande jogo em que era necessário manter o nível de qualidade e ao mesmo tempo aprofundá-lo. Confessou também que uma trilha que gostaria de ter trabalhado é a de God of War.

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Final Fantasy XV, um dos jogos que Shota Nakama criou a trilha sonora.
Respondendo sobre conselhos para a carreira na música, ele fala sobre a importância de se expor ao mundo e mostrar sua arte. Não ficar apenas praticando em casa, ter a coragem de praticar para um público, fazer apresentações e assim amadurecer e progredir como profissional.

Nakama enfatizou a importância de estar apaixonado pelo que se faz e assim buscar fazer da melhor forma possível para inspirar pessoas com nosso trabalho.

Faça um jogo pequeno e FINISH HIM

Ed Boon é um dos principais responsáveis por Mortal Kombat, série que transformou o gênero de luta e é com certeza uma das mais queridas entre os fãs brasileiros. A arena do BGS Talks ficou lotada para ouvir o líder da Netherrealm Studios responder a algumas curiosidades.

Ed Boon no BGS Talks

Boon confessou a referência de Mortal Kombat aos filmes clássicos de ficção científica como Predador, Alien e Exterminador, sendo o jogo uma versão mais malvada e obscura do que era a maior referência na época de seu lançamento (1992), Street Fighter.

Filmes de foram referência para Mortal Kombat: Alien (1979), Exterminador do Futuro (1984) e Predador (1987)


Naquela época haviam apenas 4 pessoas criando fatalities por exemplo e eles não tinham ideia de que a série perduraria por 27 anos, tentando assim justificar os furos de roteiro das edições. Ainda sobre os primórdios do jogo, Boon diz que seu fatality favorito é o de Sub Zero, do Mortal Kombat 1 em que ele arranca a cabeça do oponente, para época aquilo foi muito impactante e foi o fatality que mais perdurou.

Fatality Sub-Zero em Mortal Kombat 1 (imagem superior) e em Mortal Kombat X (imagem inferior)


Hoje, Mortal Kombat conta com uma equipe de 300 pessoas na sua produção. Um personagem, por exemplo, passando por todas as suas etapas de desenvolvimento demora cerca de 2 a 3 meses para ser criado.

Sobre o futuro, Boon espera que a série marque presença em outros formatos, como ter mais filmes por exemplo. Lembrando que já existe um novo filme sendo rodado com previsão de estreia para 2021. E sobre quais personagens extras gostaria de ver nas próximas edições, ele cita Neo de Matrix e John Wick da trilogia homônima.

Respondendo sobre conselhos para o início de carreira em Games, o cocriador de Mortal Kombat diz que estamos no melhor momento da história para se fazer games, com tecnologias modernas e mais acessíveis e finalizou com "Faça um jogo pequeno e FINISH HIM".

Boon demonstrou que Mortal Kombat tem a bagagem de 27 anos mas fôlego total para continuar sendo a franquia mais popular e inovadora do gênero de luta.

E não foi só isso!

A BGS contou com diversas outras atrações, como a BGS Jam, maratona de criação de jogos, campeonatos mundiais como o Pro Kompetition de Mortal Kombat 11 e diversos convidados especiais como John Romero responsável por jogos como Wolfenstein e Doom. Mais uma vez a BGS se consolida como maior feira de games da América Latina e consegue abranger todo o diverso público gamer.

Em sentido horário, começando do topo à esquerda: Pro Kompetition, Just Dance, BGS Jam e estande da Saga

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