Black Lightning – 1x06 – Tree Sevens: The Book of Thunder


Minha ideia era ganhar tempo e todo dia escrever uma resenha para dois episódios, mas esse sexto episódio teve tanto tema importante para ser abordado que eu decidi fazer um texto só para ele e correr contra o prejuízo no futuro.



Eu não sei quantas vezes em textos meus eu já citei Chimamanda Ngozi Adichie falando sobre o perigo de Uma Única História, deve ter sido o bastante para pedir uma música no fantástico. O Tedtalk da autora, que você pode ver aqui, fala quão nocivo é se ter apenas uma história representando uma raça ou povo inteiro, um estudante branco norte-americano uma vez questionou quão horrível era que pais nigerianos fossem tão abusivos, ele usou como referência o livro Hibisco Roxo, obra de estreia de Chimamanda. Ela respondeu comparando todo homem branco norte-americano com o personagem do livro Um Psicopata Americano.

Qualquer pessoa com bom senso sabe que é absurdo reduzir milhares de pessoas a uma única experiência ficcional. Nem todo ruivo é um Weasley. E sempre se fala como o efeito de uma única história afeta a percepção do branco sobre os não-brancos, foi assim que surgiram os estereótipos nocivos e racistas. Porém, ninguém pensou, ou talvez poucos tenham pensado em como isso nos afeta.

Eu cresci numa família afrocentrada. E existe uma diferença grande em crescer numa família de pessoas negras e numa família afrocentrada, meus pais sempre fizeram de tudo para que eu amasse ser negra, que eu admirasse meus traços negroides, que eu me conectasse tanto com o tradicional brasileira quanto o ancestral africana. Eu amava a Bahia antes mesmo de pisar lá, por que era onde me foi ensinado ter a negritude mais acentuada.



E por causa dessa educação afrocentrada eu ressentia o meu cabelo, meu sonho é ter um cabelo bem crespo daqueles que forma black power imponente bem redondo, eu ressenti meu tom de pele. Eu sou visivelmente negra, mas eu queria ter o tom retinto da Lupita Nyong'o. Eu queria ser mais negra.

Mas afinal de contas o que é ser mais negra? Ou o que é ser negro pura e simplesmente? Será que toda pessoa que alisa seu cabelo cacheado ou crespo necessariamente tem vergonha da sua estética negra e está tentando se parecer mais branco? Será que ser negro é falar determinadas gírias, andar em certos locais, se vestir de forma determinada e ouvir um bem delimitado estilo de música?

Eu odeio pagode, eu sou menos negra agora? Meu cabelo não forma Black Power, ele tem cachos muito abertos, menos negra? Eu cresci tendo muito menos condição financeira que os brancos do colégio onde fiz ensino médio, mas eu tinha um pouco mais de condições que muitos negros brasileiros.

Eu estou falando esse discurso todo por que o arco da Jeniffer no episódio pegou num local muito pessoal. E que até hoje me revolta, a ideia de que você não é negro o bastante ou que você estar tentando ser branco. Recentemente tive contato com o termo afrobege e o seu significado tem sido dúbio mesmo dentro da militância. Às vezes usada para se referir ao branco que usa de afro conveniência, mas outras vezes para se referir a negros não tão negros, o que quer que isso seja.

Não existe uma forma de ser negro, não é por que alguém se tornou bem-sucedido ou tem mais oportunidades que essa pessoa é menos negra. E nós, como comunidade, precisamos parar de atacar uns aos outros nesse quesito. Se um negro influente, famoso fez alguma besteira a gente tem que sim reclamar e apontar o erro, mas a gente precisa parar de pegar no pé da Ludmilla por que ela operou o nariz ou no pé da Beyonce por que ela é realmente rica.



E já que estamos falando do arco da Jeniffer. Eu honestamente queria odiar o Khalil, a mais nova dos Pierce não fez nada para merecer aquilo, mesmo que ele tivesse proposto terminar, eu entenderia. Ela tem apenas 16 anos, não está preparada para um comprometimento que é ser suporte emocional de alguém que acabou de sofrer o que o Khalil sofreu. E não me venham com papo de que ninguém pediu para ela ser suporto emocional de ninguém, ser namorada não é simplesmente dar uns beijinhos e discutir o que comer ou que filme ver na netflix. Existe uma responsabilidade emocional sim e quando Jeniffer concordou com a relação as regras eram outras, eu não vou culpar se ver o rapaz de quem você gosta sofrendo, não sabendo qual é o futuro dele e da sua relação for demais para uma adolescente de 16 anos. Se fosse uma mulher adulta, meu pensamento seria outro, mas é uma adolescente de 16.

E pelo menos motivo eu não consigo ter raiva da reação, mesmo que errada, do Khalil. Se ele estava na marcha foi por que ele quis ir e o que aconteceu só tem um culpado, quem puxou o gatilho da arma. Porém ele está numa situação difícil e incerta onde a vida inteira que ele planejou pode ir embora. E é frustrante fazer tudo certo, todos os passos, ser o melhor e ainda assim não conquistar aquilo que lhe prometeram. Ele explodiu, ele descontou em quem não devia e agiu errado, mas eu não consigo ter raiva, eu só espero que ele se recupere antes de causar um estrago maior a si e a outras pessoas.

Qual é a do Gambi? Primeiro eu achei que ele era um agente do governo, algum tipo de espião aposentado. Ai no episódio anterior o Tobias chega falando que tem todo um acordo com ele e eu já fiquei meio bolada, agora eu descubro não só que ele treinou a Lady Eve como revelar o passado do Tobias, o que eu imagino que seja o por que dele não envelhecer e ter toda aquela força, tem relação com o alfaiate e prejudicaria ambos. O Gambi no final das contas de estar do lado de quem?

Outro incomodo enorme é a forma como ele usa a Lynn. Num dos primeiros episódios os dois tem uma conversa, Lynn falando de como era perigoso para Jeff ser o Black Lightning, como os poderes são uma forma de droga e Gambi argumentando que o único problema era ela. Que ela era a droga a qual Pierce era viciada e não conseguia abrir mão. Ele claramente não era fã da médica. Porém no instante que ele precisa impedir o Jeff de fazer uma besteira Lynn é a pessoa que melhor conhece o Jeff Pierce, mais até do que o próprio. Então ou ele estava mentindo para Lynn topar convencer o Jeff de não matar o Tobias por que iria ser ruim para si mesmo ou ele realmente concorda que a Lynn conhece o Jeff melhor do que ninguém, por tanto quando ela fala que faz mal para ele ser o Black Lightning faz mesmo, mas ele ignora isso por que ele precisa do super herói por razões pessoais que a gente desconhece. Em qualquer situação, eu não confio nele.



Agora vamos falar de ciência. Green Light é uma droga nova, muito poderosa, que vicia com facilidade e já vimos que alguns usuários demonstram habilidades fora do comum. Aquele estudante arremessou uma privada como se fosse uma bola de basquete e só caiu depois de levar o segundo blast de choque. E agora temos exames que mostram que o efeito dele no cérebro de um usuário é o mesmo efeito que o Jeff tem quando teve uma sobrecarga dos próprios poderes. Há algo de podre na Dinamarca.

Piora quando a gente junta a pesquisa da Anissa. Ela recuperou os trabalhos do avô, que estudou o desaparecimento de 30 jovens e alguma relação com o desenvolvimento de super poderes. E vale lembrar que o velho foi morto por causa disso, na cena do flashback temos o Tobias chamando o avô da Anissa de Uncle Tom, que é uma expressão em inglês equivalente a capitão do mato. Basicamente negros que deduravam ou capturavam negros foragidos para brancos. Então todos esses detalhes me levam a crer que alguma organização poderosa estava testando algo em jovens, provavelmente negros, o pai do Jeff Pierce investigou e ia publicar a história e o Tobias matou ele por isso. E em algum ponto disso o Gambi está envolvido.

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