Finn, Poe e Queerbaiting

Da esquerda pra direita: Finn (John Boyega) e Poe (Oscar Isaac)

Queerbaiting, ou isca LGBT, é um fenômeno relativamente antigo. Por volta de 1920, era “proibido” criar narrativas explicitamente gays. Burlando esse fato, autores criavam subtextos que insinuassem a não heterossexualidade dos personagens. Amizades intensas, pessoas adultas do mesmo gênero que moram juntas há anos ou homens adultos sem interesse amoroso.

À medida que a comunidade LGBT se estabelecia e passou a exigir uma maior representação na mídia, as empresas viram no queerbait uma forma de fisgar este público e, assim, lucrar sem por em risco a heteronormatividade de suas obras.

São exemplos de queerbait as séries Sherlock (onde o personagem título e Watson, companheiro de trabalho de Sherlock, moram juntos, apresentam diversas cenas com tensão sexual e até outros personagens apontam que eles parecem um casal), e Once Upon A Time, (em que Regina e Emma apresentam a clássica narrativa de inimigas para algo mais, ambas são mães de Henry e têm uma relação de pais divorciados e a interprete da Emma, Jeniffer Morrison, já disse em entrevistas que interpreta sua personagem como sendo apaixonada por Regina). O canal Muro Pequeno recentemente fez um vídeo sobre o tema.


Mas afinal, o que isso tem a ver com Finn e Poe de Star Wars? Os dois formam possivelmente o casal com maior número de fãs, apesar de pouco ou quase nenhum embasamento para o romance. Até aí não há nada de errado, os fãs podem se apegar aos casais que quiserem. Essa é uma das faces divertidas de sermos fãs.

Entretanto, as empresas continuam olhando tudo com uma ótica de lucro. E assim surgem comentários como o de, Oscar Isaac, interprete de Poe, que alega após o sucesso do casal ter interpretado seu personagem apaixonado por Finn desde o começo ou, mais recentemente, um produtor afirmou que não no episódio VIII, mas talvez, quem sabe, haja uma possibilidade de abordar o romance no próximo filme.

E aqui está o problema: os fãs estão celebrando promessas vazias que não asseguram nenhuma representação. E aqui não é puramente uma questão de otimismo ou pessimismo, mas comemorar ou celebrar tais comentários são formas de perpetuar o queerbait. As empresas vão nos tomar por consumidores satisfeitos e que não precisam de representação maior e real, além desta já insinuada.

Se de fato queremos avançar com a representatividade LGBT precisamos ser céticos, críticos e não nos contentar com pouco. Já passamos da fase de sermos felizes por termos possibilidades ou casais criados de lugar nenhum.



O dia 28 de junho é o Dia Internacional do Orgulho LGBT. Nessa mesma data, em 1969, lésbicas, gays, bissexuais, travestis, transexuais e drag queens se uniram contra as batidas policiais que ocorriam com frequência no bar Stonewall-Inn, em Nova York. O episódio marcou a história do movimento LGBT, que continua lutando por direitos e visibilidade. Em homenagem à data, durante o mês de junho, portais nerds feministas se juntaram em uma ação coletiva para discutir de temas pertinentes à data e à cultura pop, trazendo análises, resenhas, entrevistas e críticas que tragam novas e instigantes reflexões e visões. São eles: Collant, Delirium Nerd, Ideias em Roxo, Momentum Saga, Nó de Oito, Prosa Livre, Valkirias. #WeCanNerdIt #nerdiandade #nerdgirl #FeminismoNerd #Pride

2 comentários:

  1. Foi com The 110 que eu descobri o que era queerbaiting. Me deu muita raiva quando mataram uma das personagens principais, que era lésbica, e depois descobri que isso era um trope recorrente em produções.

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    1. Então, não. The 100 tem mil defeitos, mas nunca fez queerbaiting. Matar uma personagem LGBT é problemático e é uma trupe nociva, mas queerbaiting é insinuar um casal ou personagem LGBT é negar isso só permitindo envolvimento dele com pessoas do gênero diferente. No caso a Clarke e a Lexa, protagonista bi e interesse amoroso lésbico, são publicamente assumidas e um casal. Logo não tem queerbaiting

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