segunda-feira, 15 de maio de 2017

O "Romance" é realmente necessário?

por Shaira Costa*


A internet trouxe para as minorias uma chance de ter sua voz ouvida. Por outro lado, a parcela de opiniões contra, que querem calar essas vozes, se tornou mais forte, pois pode espalhar sua toxicidade anonimamente, sem sofrer as consequências de seus atos. Muitas mudanças foram feitas em diversas obras da mídia do entretenimento, muitos estão lutando por uma realidade melhor não só por aqueles que já são adultos mas pelas crianças que consomem ou vão começar a consumir esse tipo de entretenimento em algum momento, seja ele próximo ou distante.

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Muitos comportamentos errados e inaceitáveis são mascarados na mídia do entretenimento. A série de Supergirl, que tem como protagonista Kara Zor-El, prima do já conhecido ícone Superman, teve desde seu inicio ressalvas da parte da audiência por retratar uma super-heroína. O balanço perfeito foi encontrado quando Kara tinha que lidar com o seu trabalho e sua vida como super-heroína; até aí tudo estava ocorrendo bem, pois mostrava uma mulher forte cuja chefe é forte e lhe ensina coisas importantes da vida de um jeito firme. Muitos falaram que era apenas uma serie de menininha, enquanto outros defendiam que a série deveria mostrar mais o lado heroico de Kara, mas o problema veio quando um par romântico foi introduzido na série. Não me leve à mal, o amor é importante na vida, mas ele não pode nos sufocar ou ser usado como desculpa para amenizar comportamentos inaceitáveis. 

A primeira abordagem que tivemos de par romântico para Kara, foi Winn. O típico cara tímido, amigo (não concordo com o estereótipo mas acho que não tinha como fugir disso, já que estamos em um ambiente de trabalho. Ou tinha? ) que escondia um interesse "à mais" e primeiro sidekick (mesmo que não oficial) de Kara. Ele dividiu o que sentia, ela negou, pois não era isso que ela sentia por ele, e os dois continuaram amigos. Winn entendeu que Kara não sentia o mesmo por ele e aceitou sua amizade, não tentou muda-la ou obriga-la a ficar com ele. Mais tarde, vemos que Winn tem um gosto duvidoso para mulheres, pois a partir daí, se sente atraído apenas por vilãs.

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Os boys querendo exclusividade :D

Jimmy Olsen, o fotógrafo e melhor amigo do Superman entra em cena. É doloroso ver como Kara se sente incapaz de chamar sua atenção quando ele, na verdade, está aprendendo a lidar com seus próprios problemas, mas aos poucos começa a se sentir atraído por ela. Quando tudo parece que vai andar, Lucy Lane aparece. O fenômeno "a outra mulher é minha inimiga" não dura muito, pois Cat intervem e lhe dá conselhos. Kara e Lucy conversam sobre a Supergirl, pois Lucy está preocupada com a competição desleal já que, aos olhos dela, como poderia competir com a Supergirl, enquanto Jimmy revela que foi largado por Lucy devido à sua obsessão por trabalho. Já Lucy diz que Jimmy desistiu deles enquanto casal por conta de Superman. Temos então uma pausa das tentativas de encontrar um par romântico para Kara. O foco na importância da família e a amizade entre as irmãs Denvers é lindo. Neste ínterim, a equipe toda começa a se entender melhor e os laços de confiança são fortalecidos.

No link acima, você pode ler uma abordagem sobre como os personagens negros são vistos quando o assunto é romance na mídia. Ótimo texto da Camila Cerdeira.

Porém, Mon-El aparece, acredito que todos que acompanham a série ficaram felizes com sua chegada. A ideia de um outro kryptoniano que sobreviveu significaria um semelhante para fazer companhia à Kara. Não que seus amigos humanos não cumprissem seu papel bem, mas para ela ter outros do mesmo lugar de sua origem seria incrível. Se coloque no lugar de Kara, pense que você precisa se mudar de repente e deixar tudo o que ama pra trás, sem a minima chance de poder voltar um dia, então aparece alguém que era da mesma vizinhança, talvez até um vizinho que você não conversava muito. Seria muito legal não é? Por mais que a sua vida no novo local seja ótima, seria incrível poder relembrar coisas tipicas do lugar de onde você veio.


Mon-El é um daxamita, vindo do planeta Daxam. Seus poderes são similares aos kryptonianos quando exposto à uma estrela amarela, como o sol que temos aqui na Terra. Isso faria de Mon-El uma ótima adição ao time, mesmo com o momento delicado que eles estão passando, mas as constantes discussões entre Kara e Mon-El passam longe da possibilidade de um romance sair dali, devido as suas diferenças os preconceitos são a principal causa das brigas e todos chegam a duvidar que Mon-El realmente não está a par do que aconteceu. 

É claro e doloroso como Mon-El irrita Kara. Não só por ser um daxamita, mas pelas atitudes dele em relação as outras pessoas. Se a relação enquanto "similares", já que ambos encontraram abrigo na Terra após uma catástrofe destruir seu planeta, não tinha como um relacionamento amoroso dar certo. Se era pra ter um interesse romântico para ajudar Kara de qualquer forma, por que não deixaram o casal Kara e Jimmy acontecer? Seria um casal muito mais interessante de acompanhar, pois eles já têm uma historia, além da evolução dos personagens e da equipe como um grupo que quer proteger o seu lar.

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Lucy Lane, a irmã da famosa jornalista Lois Lane

Aparentemente, a Rainha e o Rei de Daxam conseguiram chegar ao planeta Terra, na prévia vemos todos sentados à mesa para um brinde ao Príncipe de Daxam, Mon-El. Sério? Isso era realmente necessário? Não sabemos o porquê disto, já que o próprio Mon-El não reconhece a nave. Pode ser uma trama, até onde sabemos pode ser coisa da Cadmus ou realmente podem ser os pais de Mon-El, o que eu duvido, pois ele mesmo disse que era apenas um Soldado. É aí que entra o incômodo com o roteiro. Não conheço a história do Mon-El nos quadrinhos, pesquisei para tentar entender qual seria a proposta do personagem e fiquei satisfeita como que eu vi. Nas HQ, Mon-El é quase como um sidekick de Kara, aparece as vezes, para ajuda-la, mas fora isso os dois não têm muito contato. Já na série, a relação deles começa conturbada pelo julgamento que acontece entre eles devido ao seu lugar de origem, mas Mon-El prova que quer mudar de algum jeito. Durante uma discussão, Kara diz que acredita ter recebido uma segunda chance e, por isso, ela quer ajudar a manter o mundo seguro, Mon-El acaba pensando nas palavras dela e decide mudar. 


Irmãs Danvers em ação!

Infelizmente o romance nasce do nada, o InstaLove começa e, é aí, que tudo desanda. Era realmente necessário fazer de Mon-El o par romântico de Kara? Uma amizade bem-construída entre uma kryptoniana e um daxamita poderia trazer muito mais impacto no quesito proteger a Terra, se bem que poderia trazer muitos inimigos também, mas não existe problema sem solução, certo? Isso sem contar a mensagem que poderia ser trabalhada. Infelizmente, sempre acontece algo na série que não agrada aos olhos do espectador, e minha intenção é convidar você, cara leitora, à refletir e, apenas isso. Então, se você concorda ou discorda, deixa um comentário falando a sua opinião!



*Shaira Costa 
Gosto de tudo um pouco, escrevo sobre tudo e na maioria das vezes vou preferir o salgado ao doce. Entre HQ e animações gosto de uma historia bem contada, jogos de luta e 2D mas se tivesse que escolher um lado, provavelmente escolheria dormir. 

2 comentários:

  1. Mon-El estragou bastante a série pra mim, e olha que comecei não curtindo (detesto os perfeitinhos da dc) mas a série cresceu pra mim a ponto de continuar assistindo depois de parar as outras pra estudar. Acho que Kara ainda precisava crescer como heroína e pessoa antes que se pensasse num romance que desvia a atenção (apesar que torci pra James). Esses dramas românticos em séries de heróis me desanimam muito.
    P.s.: revisa a parte que você fala de Lucy, que escreveu Lois algumas vezes.

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  2. Aiai, eu gosto do personagem do Mon El, mas realmente preferia que ele não fosse o par romântico da Kara. Se era pra ter par romântico, deixasse desenvolver as coisas com o Jimmy, que ficou completamente sem lugar na série depois que a Kara decidiu não investir no relacionamento.
    Sendo que foi um personagem super interessante na 1ª temporada.

    Adorei as considerações que fez no texto. concordo demais.

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