segunda-feira, 20 de março de 2017

One Day At A Time e Uma Nova Norma de Contar Historias LGBT




Eu sei que já escrevi um texto sobre One Day At A Time, mas a série aborda tantos temas relevantes que eu me permiti um segundo texto. Dessa vez vou abordar pontos específicos da trama, por tanto, fica aqui o aviso de SPOILERS.

Sempre fui adepta de que historias LGBTQ+ deveriam ser focadas apenas e exclusivamente no LGBTQ+, a série modificou isso. O show é sobre o cotidiano dessa família latina e você sair do armário é algo que pode afetar aqueles que vivem com você de formas diferentes.

O grande diferencial foi a inteligência e sensibilidade dos roteiristas. Primeiro que Elena não teve a clichê, mesmo que real, historia de descobrir sua sexualidade se apaixonando pela melhor amiga (Buffy, South of Nowhere, Skins, Glee, Faking It e até mesmo Grey’s Anatomy). Em 2017 alguém ser gay ou lésbica não é nenhum absurdo. Uma série que conseguiu mostrar essa nova visão foi Chasing Life, Brenna era uma adolescente de 16/17 que só havia se interessado por homens, mas via sexualidade como algo fluido e não descartava a possibilidade de se envolver com uma mulher, o que aconteceu sem dramas.



Ter uma adolescente de 15 anos com tanta consciência social quanto Elena reconhecendo que sente atração por garotas, mas disposta a experimentar, pois nunca se envolveu com ninguém de gênero nenhum para ter certeza é real, honesto e a cima de tudo atual.

Essa é a história dela. A série não é sobre a personagem, mas sim sobre a família e como suas relações se dão. Faz sentido Elena conversar e explicar para o seu irmão de 12 anos as duvidas e incertezas que está sentido. Ou todos se preocuparem com a reação da avó extremamente católica que acabou aceitando sem nenhum embate religioso por amor a neta.

O outro acerto foi abordar com mais aprofundamento a reação de Penelope, a mãe. Ela não é  religiosa, tem amigos gays e de uma forma geral é uma aliada da comunidade LGBTQ+, entretanto ao saber que a filha é lésbica ficou com um gosto amargo na boca.

Foi nesse ponto que a série novamente se interseccional com a minha vida. Durante toda minha adolescência minha mãe implicou com minhas amizades femininas mais intensas, em especial minha melhor amiga dos 16 aos 18 anos, que é a primeira garota que amei.



O que sempre me incomodou era isso, minha mãe parecia não ter problema com as outras pessoas não sendo heteros, mas sim comigo. One Day At A Time foi o que me fez entender seu lado.

Penelope esta se martirizando por não estar aceitando com a mesma facilidade que os demais quando numa conversa com um estranho ela percebe que apenas há 3 dias ela entrou em uma nova realidade e que ainda precisa se readaptar.

Quando a filha nasceu foi idealizado uma vida onde elas fofocariam sobre os garotos bonitos das escolas, Elena chorando em seu colo sua primeira desilusão amorosa e por ai vai. Com o tempo Penelope veria que o laço de mãe e filha não será menor ou menos especial por elas gostarem de pessoas de gêneros diferentes.

Essa é uma história LGBTQ+ que não é focada apenas no LGBTQ+ que eu precisava ver, talvez minha mãe tivesse precisado ainda mais e muitos outras pessoas também.

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