QUEM É AVELINE GRANDPRÉ?

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Nesta semana da mulher, de 1º a 8 de março, portais nerds feministas se juntaram em uma ação coletiva para discutir de temas pertinentes à data e à cultura pop, trazendo análises, resenhas, entrevistas e críticas que tragam novas e instigantes reflexões e visões. São eles: Collant Sem Decote, Delirium Nerd, Ideias em Roxo, Momentum Saga, Nó de Oito , Preta, Nerd & Burning Hell, Prosa Livre, Psicologia&CulturaPop, Valkirias, Kaol Porfírio.
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QUEM É AVELINE GRANDPRÉ?

por Daniela Razia



Quando chegou a notícia dessa iniciativa no nosso grupo do zap sobre  matérias  em relação ao Dia internacional da Mulher, muitas coisas me vieram a cabeça e confesso que não foram boas.


Temas distribuídos fiquei com a parte de games. Decidi caçar e relembrar protagonistas negras nos jogos. E me lembrei que  as poucas que existem são extremamente estereotipadas: bandidas e saindo da lama. E me perdoem , mas a única realmente protagonista  é a Aveline de Grandpré do game Assassins Creeds Liberation.




Aveline, nascida do relacionamento de Phillipe de Gradpré  (comerciante francês) e de uma escravizada africana de nome Jeanne, foi criada em um ambiente privilegiado. Sua mãe desapareceu quando ela tinha dez anos (1757), e sua criação continuou pelas mãos da madrasta, Madeleine de L'isle, casada com seu pai  havia cinco anos.





Inteligente e com senso de justiça, logo percebeu a grande diferença com que as pessoas da sua raça eram tratadas. Com doze anos tentou resgatar um homem da escravidão e, nesse acontecimento, conheceu o Assassino Agaté (escravizado fugitivo e Mentor dos Assassinos Franco-Coloniais). A jovem impressionou o Assassino que decidiu tornar-se seu tutor e treiná-la para ser membro oficial da Irmandade.


Com o passar do tempo e treinamento, Aveline tornou-se uma Assassina, e iniciou sua luta para defender os escravizados subjugados de Nova Orleans. Aveline é a única negra protagonista que não veio do fundo do poço. Rica, segura de si, possuía três personalidades; o de escrava, socialite e assassina da Irmandade. Durante o jogo, ela troca de roupa nas várias boutiques que comprou pela cidade. Ela usa sua influência para salvar seus irmãos negros sem pensar muito nas consequências para si mesma. Com dezessete anos descobriu o centro de tráfico de escravos  comandado pelos templários e resolver agir.




Apesar da jogabilidade meio "difícil" (controles complicadinhos), jogar com Aveline foi uma experiência gratificante. Sendo a primeira protagonista da saga, me senti muito bem representada por ela. Sua força, seus medos e sonhos, muito me fizeram pensar. Em uma época em que mulheres [brancas] eram bibelôs foi muito bom ver que "sempre tem alguém contra o sistema."


Sem spoiler, mas a batalha final do game é surpreendente e mostra muita coisa  sobre  a injustiça da escravidão. E de como muitas mulheres negras lutaram e não tiveram seu reconhecimento.


E até hoje isso ocorre. Ao ver na lista a protagonista do game Remember Me sendo citada como negra me doeu o coração. É muito apagamento. É muita personagem bronzeada tendo a barra forçada pra assumir uma cor que não lhe pertence. E obviamente uma lista feita por homem cis branco. Novidade, né?


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Desejo muito que um dia, eu tenha a oportunidade de fazer outra pesquisa e matéria como essa e não me entristecer. De poder citar várias negras nos jogos como protagonistas, sem ser coadjuvante ou a garota sedutora e bandida. A prostituta do cenário. A drogada do beco. E para quem dizer que é mimimi faça uma pesquisa no tiozão google e reveja seus conceitos.








Um comentário:

  1. Adorei o texto e realmente a indústria de jogos AAA precisa avançar. Quem avança melhor nesse quesito é o mercado independente: Temos "Dandara" de um estúdio brasileiro https://www.youtube.com/watch?v=XQLY9YRtOqU e o Aurion, Legacy of the Kori-Odan que é o primeiro jogo de um estúdio independente de Camarões http://aurionthegame.com/

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