quarta-feira, 6 de julho de 2016

FUI ASSISTIR OITNB, ERA OZ


Poussey Washington (Samira Wiley)



[ALERTA: *TW *SPOILER * BAD VIBES]


Piper não foi obrigada a conviver com sua ex, que nem era uma mulher magra, de olhos claros e longos cabelos pretos. Era uma mulher gorda, fora do padrão e que só passou algumas poucas semanas novamente em contato com Piper, e não teve nenhum tipo de relação sexual com ela. Ou seja, a narrativa da série da Netflix é uma invenção que se baseia em algoritmos e faz o que o público quer ver.(Stephanie Ribeiro)

Não é segredo que muita gente faz promessas anuais de assistir Orange is the new blackdevorar os episódios em tempo mínimo se empanturrando de pizza e sem dormir. Confesso que tenho sido uma delas desde a tímida e bem humorada primeira temporada. Àquela altura, a série cativou uma audiência fiel que apreciava o humor e, até certo ponto, o nonsense. A segunda temporada assisti varando a noite fria com toda sorte de alimentos engordativos e senti a primeira desilusão com a série: racismo como assunto, não como tema. Foi grave o modo como construíram Yvonne Parker - a Vee - para ser odiosa, tal como a mãe da Preciosa e outras mulheres Negras que são consideradas inaptas para a maternidade (RIBEIRO, 2016). A terceira foi bastante morna - pra não dizer decepcionante - porque focou de forma aleatória a fragilidade emocional da Alex Vause. Certamente OITNB é uma das séries com maior quebra de heteronormatividade, presença de atrizes não-brancas, mas já esperamos há muito tempo por reparações e não somos obrigadas a nos contentarmos com o mínimo. Embora, nesses três anos, muita ironia e estereótipos raciais tenham sido lançados à audiência como um assunto qualquer, nunca tinha sido tão insistente, traumático e violento como agora.

Apesar de Stephanie Ribeiro ter nos presenteado com um texto incrível sobre a ansiedade e gatilhos presentes na temporada mais recente, foi criticada de forma leviana. Várias garotas não-negras comentaram que "nada está bom para gente" e que "não se pode problematizar OITNB, pois a série até insere atrizes Negras e Trans". Além disso, os textos produzidos por pessoas brancas sobre a série aplaudem uma suposta discussão racial que atravessou a quarta temporada e - mais uma vez - celebram a diversidade étnico-racial. será que já andaram de ônibus? Curiosamente, nenhuma dessas pessoas se deu conta da ausência da conselheira e mestra em psicologia Berdie Rogers (Marsha Stephanie Blake) da quantidade de gatilhos ou TW [1] (elas que tanto criticam estupros nos filmes do Lars Von Trier, "que até têm muitas mulheres"). 

 
Bordie Rogers aconselhando Suzanne

O problema da representação versus a catarse

Sabemos que penitenciaria é um ambiente de injustiças e violências, mas OITNB era uma série de humor protagonizada por mulheres - com dramas à la Michael Sullivan -  e se tornou algo como um show do Sarcófago em sua época mais sombria e lamentável do álbum Hate. Quando expressei essa ideia, meu primo respondeu que é isso: não tem como ser uma comédia naquele contexto. Quando Stephanie escreveu, garotas comentaram que ela estava exigindo demais. Para além desse descrédito histórico que mulheres Negras enfrentam, é preciso trazer ao centro o problema da representação para além de Platão.

Como vocês sabem - grosseiramente falando - Platão teorizou sobre a dicotomia "mundo real versus mundo das ideias". Para ele, tanto as palavras quanto as artes eram cópias da realidade que, em si, já é uma cópia imperfeita. Mentalidades conservadoras insistem em discutir - até hoje - representação em termos de mímica do real -  mímesis - e não de verossimilhança, porque já partem do pressuposto de que fantasia, horror e terror são gêneros menores. Essas mesmas mentalidades calibram olhares para sentirem prazer com a (suposta) realidade tal como é, sobretudo com a contemplação da violência contra minorias.
Alguns dizem que a arte deve tratar de temas elevados, outros dizem que deve tratar do real tal como é; o interessante é que ambos os posicionamentos excluem imagens positivas e a descolonização, ambas se guiam pela branquidade, sexismo, classismo, etarismo. Para tais indivíduos, a catarse - ou descarga emocional - é desencadeada pelo livramento de seu herói ou heroína de situações embaraçosas, tais como o racismo, homofobia e o feminicídio. Essas situações embaraçosas correspondem à interpretação branca do racismo como um "problema negro" que oscila entre o "não tão grave assim" e a "culpa recalcada". Esses "embaraços" ocultam a falta de transparência, isto é, a descontinuidade entre o discurso, a prática e o interesse. Em suma: ocultam seu ponto de vista como sujeito ao defender um conceito de representação que se apropria de partes da realidade e instaura uma (suposta) verdade. Neste caso, eles fazem da representação um problema inescapável, complexo e desagradável (um circunlóquio). Essa é a academia.

Já no meio nerd feminista é comum questionar a seletividade que as franquias de fantasia propõem como "realismo" ou "verossimilhança". Num mundo em que é possível existir hobbitorc, elfo e toda a sorte de monstros, é notável a ausência de personagens não-brancos e, especialmente, negros. Quando aparece um "elfo negro" ele é especificado como "escuro", ignorante e mau, semelhante às descrições renascentistas e assim como a oposição do "Deus do trovão" Thor (belo=bom=loiro) e o irmão enganador, Loki. A justificativa é sempre "Mas a vida é assim, não havia negros na Europa Medieval". Só digo a vocês que Camões pensava desse jeito há cinco séculos atrás.  Faz algum sentido? Existia dragão? Fada? Elfo? Deuses confabulando?

A nós - feministas Negras nerdes - não interessa tal perspectiva. Representação como suposta cópia da realidade sempre nos levará à morte simbólica da série Oz, sempre limitará nossas perspectivas, reduzirá nossa multiplicidade à privação histórica. É nesse sentido que feministas Negras leram OITNB como perversão racializada ou voyerismo da catástrofe apoiado em valores coloniais. Não há mais Sangue, mas as memorias enraizam [2], esse é o trauma histórico, as Memorias plantadas [3]. A exibição de violências raciais postas como ironia é um freakshow que não se justificam na trama, apenas reconduzirem sujeitos subalternizados à definição Moderna de "tudo que não presta" [4]. Observamos a sobreposição de produções mentais, de valores e conceitos racistas emoldurando as representações, e, desse modo, trazem aquele ausente para a ficção sob o olhar equivocado de quem escreve. Valores, aliás, que atualizam a violência das plantations para o mundo contemporâneo.

Nos atendo ao poder que a representação tem de evocar o ausente e de enquadrar categorias sociais como estigmas, observaremos que não passam de estratégia de justificar condutas discriminatórias e violentas. Por exemplo: a sequência em que Soso convida Judy King a conhecer Poussey é considerada engraçada porque expõe o ridículo do estágio de "inocência" duma personalidade racista "querendo ajudar". Nessa parte fica evidente que parecer racista é feio e reprovável, mas que a discriminar é parte da construção natural. No pequeno diálogo misturam explicações sociológicas de senso comum com preconceitos e resolvem de forma paternalista que Poussey é digna da atenção de King. Aí pergunto: pessoas negras não são agentes? Sempre necessitam da bondade de terceiros? Lembrando que bondade é uma forma moral de encarar um problema ético.





"Você é melhor que as outras"




"Não, eu quis dizer das pessoas em geral"


"Apenas..."



A questão da representação em OITNB é claramente condicionada a um olhar branco acostumado a assistir o sofrimento físico do povo negro tendo certeza de que está imune. Piper e Alex reais são opostas ao que roteiristas e produtores da série inventaram, mas isso é um desvio do real considerado aceitável, ao passo que a educação formal de Poussay, não. Enquanto o narcisismo de Piper pode soar como crítica - estilo Family Guy,  apenas reforça o que vivenciamos diariamente: sujeitos brancos que não conseguem sair da sua condição de privilégio e de inversão (porque se consideram lesados quando tratados como iguais). Lembram quando o Piscatella disse que ela estava entendendo errado? Que não passava de uma Mulher detenta? Certamente, o publico não-negro viu com muito humor a passagem do privilégio ao "comum" da Piper, mas como o ponto de referência da serie é ela, a mensagem parou na sensação de que estava sendo lesada, que não era justo ser tratada daquela forma. A discussão de privilégio, portanto, reforça aspectos  cruéis da realidade muito mais que problematiza. Essa mesma ânsia pelo real é pura oportunidade de vivenciar o lugar de poder que violenta e de trazer a tona o que seu privilégio entende por real (e justo).



A imagem diz tudo.


Racismo é realidade?

O racismo é uma ficção, um discurso como qualquer outro, ou seja, representação. Ele codifica a coletividade negra dentro de valores negativos e faz desse conceito uma visão de mundo, uma forma de lidar socialmente e de criar ficcionalizar a arte. Muitas sequencias de racismo  em OITNB partem do cotidiano de pessoas negras, pois  não passamos um dia sequer sem sermos hostilizadas. Isso significa que nosso processo de construção psicológica é específico, marcado pelas memórias do período colonial e constante associações com imagens degradantes. Isso não quer dizer que nos reduzimos ao racismo, humanidade significa complexidade. Para pessoas não-negras é necessário muita empatia pra perceber a perversidade dos discursos racistas, dado o conforto de sua própria condição. Empatia não é o caso da Piper.

Acima foto promocional da série. Abaixo a equipe de 15 roteiristas e seus pets.


Piper é desenhada como uma mulher burguesa-padrão adaptada aos tempos em que o racismo é politicamente incorreto. Tempos de lucrar tangenciando o racismo, sem discussão aberta. Ela evita pensar no quanto é racista, mas sendo loira, a sua primeira medida ao ser igualada por Piscatella foi reforçar sua diferença/distinção entre suas iguais. Ela incrimina as latinas e as obriga a passar por humilhações diárias. interessante que não há remorso, ela acredita que tratou-se de olho-por-olho, mas nunca teve essa conduta antes. A partir daí, fica claro que estamos em Oz: violência racial, grupos de supremacia branca, má sorte específica e cenas odiosas para quem sente prazer na dor do outro. Não vejo inocência na cena em que Piper se vê líder duma célula de supremacia branca, é mais desconforto em termos de aceitação geral do que problemas em se sentir cheia de vantagens. Lembremos da sua hostilidade com a colega havaiana e gorda e podemos contrapor a qualquer outro relacionamento com brancas. O desprezo é específico.


"Sim! Estamos sempre ouvindo sobre como a vida dos negros importa"


"Acaso a nossa vida não importa?"

"A vida das brancas importa!"

"A vida das brancas importa!"
Uma pessoa branca que não tem consciência dos privilégios da branquidade pode considerar apenas verossímil Jessica Jones empurrar o amigo preto para alcançar um objetivo. Ela pode justificar a ação dizendo que "ela é desse jeito, inconsequente". Essa mesma pessoa não entende a ansiedade que gerou em OITNB a tatuagem da bandeira dos confederados do sul na nuca de uma skinhead, nem o horror daquelas nazistas simplesmente existirem. Já não era bom viver com a "Pensilvânia", mas depois da onda de assassinatos e a presença maciça de skinheads não havia necessidade de tanta violência simbólica.

Quero dizer que não esperava um "mar de rosas", apenas que fiquei desapontada com o nível da desonestidade e perversidade dessa temporada. Parei de fazer anotações após o segundo episódio e passei a aguardar o ápice dessa violência absurda, que foi o assassínio de Poussey. O modo como pessoas não-negras enxergam essa morte é continuidade das mortes cotidianas. Pode até dar uma sensação ruim devido ao seu diferencial (background de leitura e viagens), mas nós encaramos como luto, como a sensação de que nem mesmo a ficção oferece saída para a violência específica. 


Empatia com o agressor



As melhores partes incluem, claro, a #nerdiandade da Tasha "Taystee" Jefferson  (Danielle Brooks)


O que faz a equipe de roteiristas acreditar que é mais real contemplar pessoas brancas formando uma família na prisão do que duas mulheres Negras se amando? A ideia de que o amor é branco. Imagine a quantidade de seguidores tem o site Black Girl Nerds e contraste com a ideia de que a adorável Tasha é uma exceção que Game of Thrones. Pouco da interioridade dela é explorado na historia, sob o pretexto de se tratar da história e Piper, mas fica bem explicado o seu papel de "mãe preta" na trama. Sobre a cena em que o guarda destrói seu relógio, qual a conclusão? De que Mulheres Negras sofrem sexismo e racismo ao mesmo tempo? E quanto aos sentimentos, pensamentos, passado e perspectivas de futuro? Privilegiam os momentos em que ela nutre em detrimento dos momentos de  leitura. Por que ela é alívio cômico?Por que temos que saber que o diretor sente atração sexual por ela? Já sabemos disso, o "como" e "o porquê" há cinco séculos. É realismo ou seletividade do que tornar real?

Some à contradição o fato de que Poussey era uma personagem complexa e interessante, leitora ávida, cujo flashback evidenciou o efeito do destino, sua abertura para um mundo hostil e - claro - uso de drogas. Enquanto Tasha envolve a trama com humor - estereótipo da mulher gorda - Poussey é responsável pela dramaticidade.

Sua morte é o ápice daquela trama degradante que obriga negros a se identificarem com personagens brancas e que explica quem é branca, quem não é, e o lugar de cada uma. Intercalando a história do psicólogo, do agente que a matou e a do diretor (Caputo) vemos como toma forma uma chamada à empatia para com o agressor. Até mesmo as fascistas se mostram sensíveis ao luto e à dor das Negras quando Poussey morre. Lembram que após a cena em que a líder mostra respeito à dor do luto das personagens Negras, acompanhamos as latinas no banheiro rindo da dor alheia. Parece que até fascistas são postas como mais sensíveis, que o agente matou por acidente, que Caputo não poderia fazer nada senão defendê-lo. Há também a cena em que Daya faz comentários com teor racista e a mãe dela explica: "Ela não é racista, apenas diz racismos". Também há a pergunta sem resposta: "Pretas podem ser racistas"? Longe de discutir a internalização do racismo, as cenas descrevem o racismo unicamente como querela entre Negras e latinas. É doentio, perverso e sádico roteirizar isso. Essa inversão não muda a realidade de que o racismo é uma problemática branca. 

É racializada a distinção que a mídia faz entre "criança" e "criminoso" e todas sabemos disso. A jornada de Caputo e do rapaz é um comentário retórico que busca a redenção, que explica que a vida é assim, que pessoas ótimas fazem coisas más porque o sistema embrutece. Esse olhar humanizado não aparece na sequência em que Suzane é obrigada a violentar fisicamente Kukudio. Aliás, são tantas cenas de torturas físicas e psicológicas que assistimos nessa quarta temporada, cenas de violência pura contra mulheres não-brancas, que não passam de demonstrações de poder que precisamos vivenciar na ficção. Poderia haver cenas positivas, desenvolvendo a complexidade dessas personagens.









Outro aspecto de violência real foi perguntar à atriz Samira Wiley:

[...] se Poussey perdoaria Bayley, o guarda que cometeu o homicídio por acidente, a atriz disse que acha que a personagem entenderia. “Acho que ela conseguiria ver a complexidade da situação. No 13º episódio, que mostra o flash back de Poussey, tem uma hora em que ela está andando na rua e passa por Bayley, e aquilo mostra que eles são só duas crianças que terminaram num sistema corrupto e cruzaram os caminhos. Quem saberia que em alguns anos, um ia acabar matando o outro? É complicado e eu acho que Poussey conseguiria ver isso”, opinou.
As entrevistas de Wiley dão um tom de quem veste a camisa da empresa - mas, para boas entendedoras, depõe contra essa legitimação do feminicídio.  

A partir do momento que os episódios enfatizam o sistema e a "complexidade da situação", o problema central (racismo) se torna abstrato e os opressores sentem um peso a menos. Vale lembrar que, marcar a Piper com uma suástica não suaviza a violência que ela propiciou, apenas intensifica o clima de Oz. A violência contra Piper é pontual e remediada, diferente do rato, da surra e da morte que recaem sobre personagens não-brancas. A identificação de Caputo - e do público - com o rapaz é instantânea, e seu (suposto) humanismo se mostra totalmente branco e masculino ao desconsiderar o corpo de Poussey, sua vida e família. Não há justificativa de "acaso" quando a violência recai sobre corpos que são estatisticamente mais afetados e constituem a maior parte da população carcerária. 


Não estamos em Oz e laranja continua sendo branco, não é mesmo?










NOTA

[1] TW é uma abreviação de uma expressão em inglês, trigger warning, sendo trigger = gatilho, e warning = aviso. “Gatilho”, neste caso, expressa, basicamente, algo que, ao ser mencionado ou referido, desperta em alguém um sentimento ruim.
[2] Tradução livre dum trecho de Boot, canção de Tamar Kali.
[3] Tradução livre do conceito central da obra Plantation Memories, de Grada Kilomba.
[4] Aqui faço referência à doutrina positivista.





OBRIGADA!

>Gabi Lima
>Luiza R.R.
>Camila Cerdeira
>Thânisia Cruz 
>Rebeca Puig



TEXTOS CONSULTADOS



BURIGO, Joanna. 'Orange is the New Black' e a persistência de opressões e privilégios. Disponível em: <www.cartacapital.com.br/cultura/orange-is-the-new-black-e-a-persistencia-de-opressoes-e-privilegios>. Acesso em 24 jun.16.
DICKMAN, Laurel. ‘You’re So Talented’ Is Your Antidote to OITNB. Disponível em: <wearyourvoicemag.com/more/entertainment/youre-so-talented>. Acesso em 24 jun.16.
MIRANDA, Ana Maria. “Orange Is The New Black”: atriz fala após tragédia. Disponível em: <cinegrafando.ne10.uol.com.br/2016/06/22/atriz-de-orange-is-the-new-black-fala-sobre-destino-de-sua-personagem-na-4a-temporada/>. Acesso em 24 jun.16.
RIBEIRO, Stephanie. Orange is The New Black: Quando nem tudo será sobre pessoas brancas? Disponível em: <www.brasilpost.com.br/stephanie-ribeiro/orange-is-the-new-black-q_b_10742732.html?utm_hp_ref=brazil&ncid=fcbklnkbrhpmg00000004>. Acesso em 24 jun.16.
SHACKELFORD, Ashleigh.  Orange is the New Black is Trauma Porn Written for White People [spoilers].Disponível em: <wearyourvoicemag.com/more/entertainment/orange-is-the-new-black-trauma-porn-written-white-people>. Acesso em 24 jun.16.
SUTTON, Kayla. Orange Is The New Black: Episode 1 Recap.  Disponível em:<blackgirlnerds.com/orange-new-black-episode-1-recap/>. Acesso em 24 jun.16.
VALENTINE, Mickey.No, Realism isn’t the New Black. Disponível em:<wearyourvoicemag.com/more/entertainment/no-realism-isnt-new-black>. Acesso em 24 jun.16.

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