Globo de Ouro, o feminismo e a branquitude de sempre.

Por Naira Évine


Eu tinha esquecido totalmente que ontem era o tal 75º Globo de Ouro, até que um amigo me lembrou e comecei a assistir pouco depois do prêmio de Nicole Kidman como Melhor Atriz Minissérie/Telefilme por sua atuação em Big Little Lies.

Para quem não sabe todas as mulheres foram de preto para denunciar o assédio sexual que vitimiza mulheres em Hollywood há anos, assim como pedir igualdade de gênero.


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Mas James Franco que é acusado de assédio sexual ganhou o prêmio como melhor ator de comédia/musical. Não sabia? Espia só.

Oprah Winfrey recebeu MERECIDAMENTE o prêmio Cecil B. DeMille. Ela foi a ÚNICA MULHER NEGRA a receber esse prêmio no Golden Globes. Isso é um grande problema. Mas eu lavei meu rosto de lágrimas com seu discurso, poder e sua presença.

Logo após seu discurso Natalie Portman e Ron Howard apresentaram o prêmio de melhor direção de longa-metragem e nesse momento a atriz alfinetou ao dizer “E agora só os homens indicados”. Foi necessário o constrangimento, mas ela só esqueceu de dizer que eram todos brancos também né.

Fanon cita que ele queria ser um homem, não um negro. Homens negros não são homens, mulheres negras não são mulheres. E isso fica totalmente explícito quando se vê que há uma abertura para o debate sobre gênero em uma das maiores industrias do mundo, mas houveram poucas pessoas negras indicadas e/ou vencedoras. No livro “Gênero, raça e classe”, Angela Davis lembra da história dos movimentos antirracista e feminista nos EUA e a semelhança com o que ocorre na contemporaneidade é imensa. Mulheres brancas preocupadas com a equidade de gênero, mas esquecem da questão racial.


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Sterling Kelby Brown foi o único homem negro a vencer como melhor ator de drama com sua atuação em This is Us. Além dele, tínhamos como concorrentes o Anthony Anderson na categoria melhor ator de comédia/musical pela atuação em Black-Ish. Issa Rae pela atuação em Insecure para melhor atriz comédia musical. Denzel Washington como melhor ator de drama. Daniel Kaluuya como melhor ator de comédia pela atuação em Get Out (risos). Octavia Spencer e Mary J. Blige concorreram a melhor atriz coadjuvante.

SÓ, SOMENTE SÓ.

Para terminar deixarei um trecho do belíssimo e potente discurso de Oprah Winfrey. Caso queira ler o discurso traduzido inteiro, clique aqui.




“Em 1982, Sidney [Poitier] recebeu o prêmio Cecil B. DeMille aqui no Globo de Ouro, e eu sei que, neste momento, há algumas garotinhas assistindo eu me tornar a primeira mulher negra a receber esse mesmo prêmio. (…) Eu quero dizer que eu valorizo ​​a imprensa mais do que nunca, enquanto tentamos navegar esses tempos complicados, o que me faz pensar nisso: o que eu sei com certeza é que falar sua verdade é a ferramenta mais poderosa que todos nós temos.”

Para mim que sou uma mulher negra e comunicóloga é um conforto enorme ver essa cena e ouvir esse discurso. Dá aquele gás que nos falta volta e meia, sabe? Com tudo isso eu tento ser esperançosa e pensar que temos dominado, temos conseguido e a tendência é aumentar cada vez mais.

Mas queridas amigas brancas, feminismo também tem cor.

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